terça-feira, 28 de julho de 2015

RESOLVENDO O PARADOXO DEUS E A PEDRA



Se Deus é onipotente(pode fazer todas as coisas), Ele então pode criar uma pedra tão pesada que não possa levantar?
    Essa parece ser um questionamento comum e também bastante periódico(surge de tempos em tempos), principalmente por quem gosta de ficar reinventando a roda. Quando vejo esse argumento sendo usado me lembro do episódio do Chaves, onde o que Kiko queria ganhar uma bola quadrada do Professor Girafales. Mas enfim, em outros momentos já postei esse texto na página Apologética Cristã, mas estou colocando no blog agora. Pois bem, vamos esclarecer sobre esse assunto.
    Esse paradoxo foi elaborado para tentar justificar que Deus(de uma maneira geral) não é de fato onipotente. Segue então o paradoxo Deus e a Pedra:
Ou Deus consegue ou não consegue criar a pedra que não é possível erguer.
Se Deus consegue criar a pedra, não é omnipotente (já que não a consegue erguer).
Se Deus não consegue criar a pedra não é omnipotente (pois não a consegue criar).
Logo Deus não é omnipotente.
    Esse argumento se torna falho, quando observado que ele não reflete o verdadeiro conceito de onipotência, pois entendemos que a onipotência de Deus não é necessariamente poder fazer tudo, mas sim poder fazer tudo que seja intrinsecamente possível e aqui está a diferença. Há algumas coisas que Deus mesmo não pode fazer. Por exemplo, ele não pode fazer nada que esteja em contradição com a sua natureza, como por exemplo cessar de ser Deus, ou deixar de ser santo, ou fazer algo que seja logicamente impossível (como fazer um círculo quadrado). Deus não pode fazer uma pedra tão grande que ele não consiga levantá-la, pois o que é criado não pode ser maior do que o Criador. Entretanto, Deus pode fazer qualquer coisa que seja possível fazer. Ele é todo-poderoso (onipotente), o "El Shadai" (cf.Jó 5:17; 6:14; 42:2). A sua onipotência significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. É possível atribuir-lhe milagres, mas não tolices. Isto não é um limite ao seu poder. Se disser: "Deus pode dar a uma criatura o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, negar-lhe o livre-arbítrio" não conseguiu dizer nada sobre Deus: combinações de palavras sem sentido não adquirem repentinamente sentido simplesmente porque acrescentamos a elas como prefixo dois outros termos: "Deus pode". Permanece verdadeiro que todas as coisas são possíveis com Deus: as impossibilidades intrínsecas não são coisas mas insignificâncias (praticamente não existem). Não é possível nem a Deus nem à mais fraca de suas criaturas executar duas alternativas que se excluem mutuamente; não porque o seu poder encontre um obstáculo, mas porque a tolice continua sendo tolice mesmo quando é falada sobre Deus.

Obs:  Boa parte desse texto é apenas um recorte dos livros que estão na referência abaixo, ou seja, praticamente não elaborei nada, mas apenas organizei as citações.

Referências

Paradoxo Deus e a Pedra

Manual popular de Dúvidas Enigmas e Contradições da Bíblia - Norman Geisler

O Problema do Sofrimento - C.S.Lewis

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Não julgueis! O versículo favorito dos "fãs"

      Jesus deixou um ensinamento de que eu não deveria julgar para que eu mesmo não fosse julgado(Mt 7:1). Mas será que foi isso que ele realmente desejou ensinar? Julgar é pecado ou na certa medida não há problema? É disso que desejo tratar hoje.
    Sempre que surge uma polêmica no meio cristão que envolva uma “celebridade gospel” é comum citar esse versículo que não podemos julgar, como foi no caso recente envolvendo o cantor Thalles Roberto (Obs.: quero deixar bem claro que não pretendo dizer que se a atitude dele foi certa ou não, mas apenas estou usando com exemplo) e suas declarações e na tentativa de alguns justificarem suas declarações emitiram suas opiniões de que cristãos verdadeiros não julgavam e que deveríamos apenas orar por ele. Então vamos lá, cristão de verdade não pode julgar?
   
Mateus 7:1,2 - Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.

A pergunta certa que devemos fazer sobre esse texto é: qual tipo de julgamente que Cristo está se referindo? Em primeiro momento é preciso saber que Cristo está condenando o julgamento precipitado, ou seja, o julgamento hipocrita, pois sendo assim o que podemos dizer sobre esses textos abaixo que incentivam o julgamento?


João 7:24 - Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

1 Coríntios 10 - 15. Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo.

Segundo o comentário bíblico de Russel Champlin temos:

“Não julgueis». Essas palavras nào aludem a toda modalidade de julgamento (ver o Mt. 7:20; I Cor. 5:12), mas ao julgamento censurador, injusto, que não pode ser justificado . A maioria dos Pais assim nos informa. Provavelmente Jesus se referiu às atitudes e ações dos fariseus, que censuravam aos outros em tudo, sem jamais reconhecerem a presença de qualquer defeito neles mesmos. Essa era a atitude típica deles. Paulo ilustra esse ensino no segundo capitulo de Romanos: «Portanto és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas; porque no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas· ( 2 : 1 ). Os versiculos de Romanos 17 até 29 aludem diretamente ao judeu como indivíduo que julga ao gentio mas que em realidade, fazia as mesmas coisas que este”.

Portanto, o cristão pode sim julgar, mas desde que não seja um julgamento hipocrita, um julgamento pela aparência, mas segundo a reta justiça e para nós cristãos a reta justiçã é a Bíblia.

Referências:


Comentário Bíblico - Mattew Henry

Comentário Bíblico - Russel Norman Champlin

terça-feira, 14 de julho de 2015

APOLOGÉTICA E ESPIRITUALIDADE



Esse é um tema muito pertinente para nos cristãos que pretendemos fazer apologética. Na página da apologética cristã ou meu perfil as vezes é comum algumas pessoas entrarem em contato pedindo ajuda sobre como responder algumas perguntas feitas por um cético, ou por um certo amigo que questionou algo que não soube responder e para evangelizar necessitava daquela resposta.
É bom que nos cristãos nos empenhemos em estar aptos para responder toda e qualquer pergunta a cerca da nossa fé (I Pedro 3:15), porém observo que muitas pessoas que estão confusas a cerca de sua fé que necessitam da apologética para sustentarem sua fé em Cristo, como se não conseguisse responder ou entender algum questionamento, isso seria pretexto para abandonar sua fé. Creio não estar certo isso, pois entendo a importância da apologética na vida de um cristão, entretanto não podemos basear toda nossa fé(espiritualidade) na nossa capacidade de responder perguntas difíceis, lembrando que Santo Agostinho ensinou que se conseguimos compreender a Deus, então esse Deus é falso.
E desejando tratar desse tema, gostaria de abordar sobre a espiritualidade que está por trás da apologética e que toda apologética sem comunhão com Deus é falsa e enganadora.
Primeiramente precisamos dizer se apologética é bíblica.
Sim, apologética é bíblica e pode ser exercida como um ministério, ainda que aparentemente muitos não gostam muito da ideia de se debater a cerca da fé cristã, porém foi algo muito aplicado por Paulo em ministério.
É observado que Paulo debatia com os judeus/fariseus, gregos/epicureus, a cerca do cristianismo e a vida e ressurreição de Jesus Cristo.
Racionalizar a cerca da fé cristã é necessário e dizer que a fé cristã é cega ou dizer que apologética não é bíblica é um erro teológico, pois o ministério apologético foi muito desenvolvido pelos discípulos de Jesus, Pais da Igreja e atualmente.
É possível notar em Paulo e Pedro uma motivação clara de racionalizar a cerca da fé cristã, no objetivo de discutir a cerca da fé cristã.
Vemos que Lucas, escritor de dois livros (Lucas e Atos dos Apostolos), deixa claro a sua motivação ao escrever para que Teofilo tivesse certeza das coisas ensinadas [Lucas 1.1-4].
Muitos cristãos hoje não são favoráveis a discussão, pois muitos vão dizer que quem convence é o próprio Espírito Santo de Deus. Concordo com isso, porém creio que exista ferramentas/meios que Deus possa usar para existir esse convencimento, como podemos ver no ministério de Paulo que desenvolveu um ministério apologético em Tessalônica [Atos 17.2], Atenas [Atos 17.17], Corinto [Atos 18.4], e em Éfeso na base da discussão.
Outros gostam de dizer que ninguém jamais se converteu por argumentos racionais. Não concordo, pois o ministério de Paulo revela que sim, muitos foram convencidos através das discussões com Paulo e que Deus operava milagres extraordinários [Atos 19.8]. E o que dizer de nomes como Agostinho de Hipona e C.S.Lewis. Creio que fé também é pensar, e nas palavras de John Stott. “Fé não é credulidade. Ser crédulo é ser ingênuo, completamente desprovido de qualquer crítica, sem discernimento, até mesmo irracional, no que crê”.
Entretanto, aonde está o problema na apologética ? Como dito acima, observei que muitos fizeram da apologética um sustento para sua fé, ao ponto de se sentirem intimidades ou até mesmo “fracos” por não conseguirem responder alguma pergunta.
Nas vezes que fui procurado para orientar alguém como responder uma pergunta para um amigo, minha resposta é sempre a mesma. “Não há maior resposta/argumento do que seu testemunho de vida”. A apologética pode nos ajudar em um evangelismo, porém não podemos esquecer que apologética sem vida com Deus é apenas palavras de intelecto humano. Siga a orientação de Pedro para estar preparado para responder qualquer pergunta com amor e mansidão sobre sua fé, mas não deixe de buscar a Deus em primeiro lugar. Para Origenes somente era um bom interprete da Bíblia quem tinha uma vida dedicada a Deus. Para os pais da Reforma Protestante, a forma de ver a gloria de Deus é através das Escrituras, por isso a importância de orar, ensinavam que deviasse orar pedindo ao Espírito Santo que abrisse seu entendimento para que consiga ler e interpretar as Escrituras e podendo assim contemplar a gloria de Deus nas escrituras.
Portanto, quer desenvolver uma apologética com excelência? Cresça na Graça(fé) e Conhecimento de Deus. “Esforçai-vos para conhecer mais clara e plenamente a Cristo; conhecê-lo para ser mais como Ele e amá-lo mais. Este é o conhecimento de Cristo”.


Referências:

Redescobrindo os pais da Igreja – Michael A G Haykin

Ensaios Apologeticos - Francis Beckwith, William L. Craig e J. P. Moreland

Comentário Bíblico – Matthew Henry




Em breve abordaremos mais sobre esse tema.

terça-feira, 7 de julho de 2015

A letra mata? 2 Co 3:6 fundamenta a rejeição aos estudos teológicos?

   Todo aquele que se dedica em conhecer mais da palavra de Deus acaba sofrendo vários preconceitos por parte de outros cristãos, principalmente quando se aprofunda no conhecimento teológico. O jargão mais utilizado no meio protestante é "A letra mata", fazendo referência ao texto de Paulo que está em 2 Coríntios 3:6:
 "O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica."
   Alguns "pastores" usam esse versículo fora de contexto para alegar que o estudo teológico não é algo cristão. Pelo fato de haverem pessoas que ingressam em cursos de teologia e acabam migrando para a teologia liberal ou para o completo ceticismo, muitos "pastores" tentam acabar com essa iniciativa de alguns cristãos conhecerem mais da palavra de Deus. Enfim, será que "a letra mata" fundamenta a rejeição aos estudos teológicos?
  A letra mata a que Paulo se refere não pode ser identificada como sendo o estudo (conhecimento) teológico. Até porque, o apóstolo, que era um dos doutores da igreja (Atos 13:1), jamais poderia pensar dessa forma. Acredito que aqui são dispensáveis quaisquer comentários sobre a erudição e a aplicação de Paulo aos estudos. Isso é uma prova cabal dos benefícios da educação teológica.
Em verdade, o apóstolo no texto está falando da superioridade da nova aliança sobre a antiga. A morte causada pela letra realmente é espiritual, porém é bom salientar que se trata de uma alusão ao código escrito da lei mosaica. A lei mata porque demanda obediência irrestrita, mas não proporciona poder para isso.
É representada pelas tábuas de pedra (2 Co 3:3). Por outro lado, o espírito vivifica porque escreve a lei de Deus em nossos corações, trazendo-nos a vida em medida muito maior do que realizava sob a antiga aliança. É representado pelas tábuas da carne (2 Co 3:3). Portanto, como podemos ver, o texto comentado não fundamenta em qualquer instância a rejeição aos estudos teológicos.


Pedro Lima é Acadêmico do curso de Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Amazonas(UFAM).
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