Pelos corredores do Templo Mórmon Por - Por Eguinaldo Hélio de Souza
Suntuoso. Talvez seja esta a melhor maneira de descrever o Templo Mórmon localizado em São Paulo, aberto ao público de 17 de janeiro a 14 de fevereiro. Milhares de pessoas visitaram diariamente o edifício, cuja construção durou de 1976 a 1978. Devido à necessidade, uma reforma foi empreendida, quando carpetes, móveis e decorações foram trocados. A estátua do suposto anjo Moroni, com sua trombeta, não foi esquecida. Agora, foi colocada sobre o mastro do Templo, reaberto ao público justamente por isso. Segundo um dos líderes, trata-se de “uma cortesia” de seu profeta-presidente, Gordon Hanckley.
Misturando verdades bíblicas com elementos completamente estranhos ao cristianismo, esta religião congrega hoje no Brasil, segundo o último censo do IBGE, algo em torno de 200 mil adeptos. A seita protesta e afirma que, segundo suas próprias estatísticas, já somam 860 mil, sendo 190 mil só no Estado de São Paulo. No mundo, são cerca de 12 milhões. É um número expressivo. Mas, embora diante de uma população de seis bilhões, signifique apenas 0,2%.
Por seu exotismo, o mormonismo sempre chamou a atenção da imprensa. A exposição do templo foi divulgada pelos meios de comunicação como um programa cultural.
Um dado curioso: dos cerca de 100 templos existentes no mundo, cinco estão no Brasil (um ainda em construção). Seu crescimento aqui não é lá grande coisa, ainda mais se considerarmos que já se passaram 69 anos desde que iniciaram suas reuniões em São Paulo, em 19 de maio de 1935. Denominações evangélicas, com pouco mais de duas décadas, já contam hoje com milhões de membros. O que reforça a máxima que circula no meio evangélico: “O Brasil é do Senhor Jesus”.
Não obstante, o Brasil tem grande importância para a seita. E isso fica mais patente com a visita de seu presidente mundial, Gordon B. Hinckley, considerado pelos mórmons um profeta de Deus (veja a galeria com todos os presidentes). Sua vinda ao Brasil, no mês passado, teve como objetivo principal a consagração do templo reformado e, claro, motivar seus discípulos a uma “evangelização” maciça do dos brasileiros. Como estratégia, realizaram, pela primeira vez na história da seita, uma celebração do porte das que acontecem anualmente nos EUA, particularmente no Estado de Utah, fora da América do Norte.
O evento, que ocorreu no estádio do Pacaembu (SP), contou com diversas atrações. Além da presença de “sua santidade”, o profeta Hinckley, a estrutura gigantesca contou com o apoio de 1500 missionários, um coro com 1200 vozes, 1800 dançarinos, 345 cenários vivos e 5000 coreógrafos. O espetáculo, digno de elogios pela sua organização e ousadia, estrategicamente para conquistar o público brasileiro, incluiu elementos do nosso folclore ao apresentar 184 personagens do Sítio do Pica-Pau-Amarelo.
Os mórmons são muito liberais em relação ao folclore e outras festas seculares.









