Esse é um tema muito pertinente para nos cristãos que pretendemos fazer apologética. Na página da apologética cristã ou meu perfil as vezes é comum algumas pessoas entrarem em contato pedindo ajuda sobre como responder algumas perguntas feitas por um cético, ou por um certo amigo que questionou algo que não soube responder e para evangelizar necessitava daquela resposta.
É bom que nos cristãos nos empenhemos em estar aptos para responder toda e qualquer pergunta a cerca da nossa fé (I Pedro 3:15), porém observo que muitas pessoas que estão confusas a cerca de sua fé que necessitam da apologética para sustentarem sua fé em Cristo, como se não conseguisse responder ou entender algum questionamento, isso seria pretexto para abandonar sua fé. Creio não estar certo isso, pois entendo a importância da apologética na vida de um cristão, entretanto não podemos basear toda nossa fé(espiritualidade) na nossa capacidade de responder perguntas difíceis, lembrando que Santo Agostinho ensinou que se conseguimos compreender a Deus, então esse Deus é falso.
E desejando tratar desse tema, gostaria de abordar sobre a espiritualidade que está por trás da apologética e que toda apologética sem comunhão com Deus é falsa e enganadora.
Primeiramente precisamos dizer se apologética é bíblica.
Sim, apologética é bíblica e pode ser exercida como um ministério, ainda que aparentemente muitos não gostam muito da ideia de se debater a cerca da fé cristã, porém foi algo muito aplicado por Paulo em ministério.
É observado que Paulo debatia com os judeus/fariseus, gregos/epicureus, a cerca do cristianismo e a vida e ressurreição de Jesus Cristo.
Racionalizar a cerca da fé cristã é necessário e dizer que a fé cristã é cega ou dizer que apologética não é bíblica é um erro teológico, pois o ministério apologético foi muito desenvolvido pelos discípulos de Jesus, Pais da Igreja e atualmente.
É possível notar em Paulo e Pedro uma motivação clara de racionalizar a cerca da fé cristã, no objetivo de discutir a cerca da fé cristã.
Vemos que Lucas, escritor de dois livros (Lucas e Atos dos Apostolos), deixa claro a sua motivação ao escrever para que Teofilo tivesse certeza das coisas ensinadas [Lucas 1.1-4].
Muitos cristãos hoje não são favoráveis a discussão, pois muitos vão dizer que quem convence é o próprio Espírito Santo de Deus. Concordo com isso, porém creio que exista ferramentas/meios que Deus possa usar para existir esse convencimento, como podemos ver no ministério de Paulo que desenvolveu um ministério apologético em Tessalônica [Atos 17.2], Atenas [Atos 17.17], Corinto [Atos 18.4], e em Éfeso na base da discussão.
Outros gostam de dizer que ninguém jamais se converteu por argumentos racionais. Não concordo, pois o ministério de Paulo revela que sim, muitos foram convencidos através das discussões com Paulo e que Deus operava milagres extraordinários [Atos 19.8]. E o que dizer de nomes como Agostinho de Hipona e C.S.Lewis. Creio que fé também é pensar, e nas palavras de John Stott. “Fé não é credulidade. Ser crédulo é ser ingênuo, completamente desprovido de qualquer crítica, sem discernimento, até mesmo irracional, no que crê”.
Entretanto, aonde está o problema na apologética ? Como dito acima, observei que muitos fizeram da apologética um sustento para sua fé, ao ponto de se sentirem intimidades ou até mesmo “fracos” por não conseguirem responder alguma pergunta.
Nas vezes que fui procurado para orientar alguém como responder uma pergunta para um amigo, minha resposta é sempre a mesma. “Não há maior resposta/argumento do que seu testemunho de vida”. A apologética pode nos ajudar em um evangelismo, porém não podemos esquecer que apologética sem vida com Deus é apenas palavras de intelecto humano. Siga a orientação de Pedro para estar preparado para responder qualquer pergunta com amor e mansidão sobre sua fé, mas não deixe de buscar a Deus em primeiro lugar. Para Origenes somente era um bom interprete da Bíblia quem tinha uma vida dedicada a Deus. Para os pais da Reforma Protestante, a forma de ver a gloria de Deus é através das Escrituras, por isso a importância de orar, ensinavam que deviasse orar pedindo ao Espírito Santo que abrisse seu entendimento para que consiga ler e interpretar as Escrituras e podendo assim contemplar a gloria de Deus nas escrituras.
Portanto, quer desenvolver uma apologética com excelência? Cresça na Graça(fé) e Conhecimento de Deus. “Esforçai-vos para conhecer mais clara e plenamente a Cristo; conhecê-lo para ser mais como Ele e amá-lo mais. Este é o conhecimento de Cristo”.
Referências:
Redescobrindo os pais da Igreja – Michael A G Haykin
Ensaios Apologeticos - Francis Beckwith, William L. Craig e J. P. Moreland
Comentário Bíblico – Matthew Henry
Em breve abordaremos mais sobre esse tema.
