sábado, 24 de novembro de 2012

O Dilema de Eutifron - William Lane Craig

   Embora Dawkins não levante a objeção seguinte, as pessoas frequentemente a escutam por não-crentes em resposta ao argumento moral. Esta objeção é chamada Dilema de Eutifron, nome de um dos personagens de um diálogo de Platão. Ela  basicamente é assim: algo é bom por que Deus assim o quer? Ou  Deus o quer porque este algo é bom? Se você disser que alguma coisa é boa porque Deus a quer, então o que é “bom” se torna arbitrário. Deus poderia ter desejado que o ódio fosse bom, e assim nós seríamos moralmente obrigados a odiarmos uns aos outros. Isto parece loucura. Pelo menos alguns valores morais parecem ser necessários. Mas se você disser que Deus quer alguma coisa porque ela é boa, então o que é bom ou mau independe de Deus. Neste caso, valores e deveres morais existiriam independentemente de Deus, o que contradiz a premissa 1.

   O ponto fraco do Dilema de Eutifron é que o dilema que ele apresenta é falso porque existe uma terceira alternativa  desconsiderada, a saber, Deus deseja algo porque Ele é bom. A própria natureza de Deus é o padrão de bondade, e suas ordens a nós são expressão de sua natureza. Em resumo, nossos deveres morais são determinados pelas ordens de um Deus justo e amoroso.

   Desta forma valores morais não são independentes de Deus porque o caráter próprio de Deus define o que é bom. Deus é essencialmente compassivo, justo, bom, imparcial, etc. Sua natureza é o padrão moral que determina o que é certo ou errado. Suas ordens necessariamente refletem sua natureza moral. Portanto, não existe arbitrariedade. O bem/mal moral é determinado pela natureza de Deus, e o certo/errado moral é determinado por sua vontade. Deus quer alguma coisa porque Ele é bom, e algo é correto porque Deus assim o quer.
  
   Esta visão da moralidade tem sido eloquentemente defendida em nossos dias por filósofos bem conhecidos como Robert Adams, William Alston e Philip Quinn. Embora os ateus continuem a atacar o espantalho erigido através do Dilema de Eutifron. No recente Cambridge Companion to Atheism (2007), por exemplo, o artigo sobre Deus e a moralidade, escrito por um proeminente eticista, apresenta e critica apenas a visão de que Deus arbitrariamente criou os valores morais – um espantalho que virtualmente ninguém defende. Os ateus têm de fazer melhor do que isto se eles tentam derrotar os argumentos morais contemporâneos para a existência de Deus.

William Lane Craig
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