sábado, 26 de abril de 2014

Se tudo que temos são cópias de cópias, como ter certeza de que o Novo Testamento que temos hoje é, no mínimo, semelhante aos escritos originais?


 
   Vi essa pergunta sendo levantada como argumento no programa Em Revista na Rede Brasil de Televisão, pelo ateu que representava a ATEA, confira:





   Essa mesma pergunta foi feita pelo ex-ateu Lee Strobel para Bruce Metzger enquanto investigava a prova documental da Bíblia, leia:

   — Para ser sincero com o senhor — eu disse a Metzger —, quando 
soube que não havia nenhum exemplar original do Novo Testamento, fiquei muito cético. Se tudo que temos são cópias de cópias, pensei, como ter certeza de que o Novo Testamento que temos hoje é, no mínimo, semelhante aos escritos originais? Como o senhor responderia a isso?
   — Não é só a Bíblia que está nessa situação, outros documentos
antigos que chegaram até nós também estão — replicou ele. — vantagem do Novo Testamento, principalmente quando comparado com outros escritos antigos, é que muitas cópias sobreviveram.
   — Qual a importância disso? — perguntei.
   — Bem, quanto maior o número de cópias em harmonia umas com as outras, sobretudo se provêm de áreas geográficas diferentes, tanto maior a possibilidade de confrontá-las, o que nos permite visualizar como seriam os documentos originais. A única forma possível de harmonizá-los seria pela ascendência de todos eles à mesma árvore genealógica que representaria a descendência dos manuscritos.
   — Muito bem — eu disse —, compreendi por que é importante que existam várias cópias. Mas e quanto à idade dos documentos? Não há dúvida de que isso também é importante, não é verdade?
   — Exatamente — respondeu Metzger —, mas esse elemento é
outro dado que favorece o Novo Testamento. Temos cópias que datam de algumas gerações posteriores ao escrito dos originais, ao passo que, no caso de outros textos antigos, talvez cinco, oito ou dez séculos tenham se passado entre o original e as cópias mais antigas que sobreviveram. Além dos manuscritos gregos, temos também a tradução dos evangelhos para outras línguas numa época relativamente antiga: para o latim, o siríaco e o copta. Além disso, temos o que podemos chamar de traduções secundárias feitas pouco depois, como a armênia e a gótica. Há várias outras além dessas: a georgiana, a etíope e uma grande variedade.
   — De que forma isso nos ajuda?
   — Mesmo que não tivéssemos nenhum manuscrito grego hoje, se
juntássemos as informações fornecidas por essas traduções que remontam a um período muito antigo, seria possível reproduzir o conteúdo do Novo Testamento. Além disso, mesmo que perdêssemos todos os manuscritos gregos e as traduções mais antigas, ainda seria possível reproduzir o conteúdo do Novo Testamento com base na multiplicidade de citações e comentários, sermões, cartas etc. dos antigos pais da igreja.
   Embora fosse impressionante, era difícil julgar tal prova isoladamente. Eu precisava de algum contexto para avaliar melhor a singularidade do Novo Testamento. De que maneira, eu me perguntava, podemos compará-lo a outras obras bem conhecidas da Antigüidade?

   Uma montanha de manuscritos

   — Quando o senhor fala da multiplicidade de manuscritos —
prossegui —, de que modo isso contrasta com outros livros antigos
normalmente reputados pelos eruditos por confiáveis? Por exemplo, faleme de escritos de autores da época de Jesus. Metzger consultou algumas anotações à mão que tinha trazido, prevendo minha pergunta.
   — Veja o caso de Tácito, o historiador romano que escreveu os
Anais por volta de 116 d.C. — começou. — Seus primeiros seis livros existem hoje em apenas um manuscrito, copiado mais ou menos em 850 d.C. Os livros 11 a 16 estão em outro manuscrito do século xi. Os livros 7 a 10 estão perdidos. Portanto, há um intervalo muito longo entre o tempo em que Tácito colheu suas informações e as escreveu e as únicas cópias existentes. Com relação a Josefo, historiador do século I, temos nove manuscritos gregos de sua obra Guerra dos judeus, todos eles cópias feitas nos séculos X a XII. Existe uma tradução latina do século IV e textos russos dos séculos XI ou XII.
   Eram números impressionantes, sem dúvida. Existe apenas uma
seqüência muito tênue de manuscritos ligando essas obras antigas ao mundo moderno.
   — Só para comparar — perguntei —, quantos manuscritos do
Novo Testamento grego existem ainda hoje?
   Metzger arregalou os olhos.
   — Há mais de 5 mil catalogados — disse ele entusiasmado,
erguendo a voz em uma oitava.
   Isso equivalia a uma montanha de manuscritos, se comparado com os formigueiros de Tácito e Josefo!
   — Isso é incomum no mundo antigo? Qual seria o segundo
colocado? — perguntei.
   — O volume de material do Novo Testamento é quase constrangedor em relação a outras obras da Antigüidade — disse ele. — O que mais se aproxima é a Ilíada de Homero, que era a bíblia dos antigos gregos. Há menos de 650 manuscritos hoje em dia. Alguns são muito fragmentários. Eles chegaram a nós a partir dos séculos 11 e m d.C. Se levarmos em conta que Homero redigiu seu épico em aproximadamente 800 a.C, veremos que o intervalo é bastante longo.
   "Bastante longo" era eufemismo; estávamos falando em mil anos!
De fato, não havia comparação: a existência de manuscritos do Novo Testamento constituía uma prova surpreendente quando justaposta a outros escritos respeitados da Antigüidade — obras que os estudiosos modernos não relutam de forma alguma em considerar autênticas.

Referência: STROBEL, Lee. Em defesa de Cristo: um jornalista ex-ateu investiga as provas da existência de Cristo. São Paulo: Editora Vida, 2001. 76 p.
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial