terça-feira, 22 de abril de 2014

A tradição oral Cristã pode ser comparada a brincadeira do telefone-sem-fio?


   Na última semana vi dois debates entre cristãos e não-cristãos, e percebi que os não-cristãos tem comparado a tradição oral Bíblica à brincadeira do telefone-sem-fio. Esse argumento é usado pela maioria das pessoas para desvalorizar os fatos descritos nas Escrituras.
   Essa mesma pergunta fez o jornalista Lee Strobel enquanto investigava a autenticidade dos evangelhos. Lee que na época ainda era ateu, perguntou para Craig L. Blomberg se a tradição oral cristã do primeiro século podia ser comparada a brincadeira do telefone-sem-fio, confira:

   Você provavelmente já brincou de telefone-sem-fio: alguém
cochicha alguma coisa no seu ouvido — por exemplo: "Você é o meu melhor amigo" —, depois, você cochicha a mesma coisa no ouvido do vizinho e assim por diante até completar a volta por todo o círculo de participantes. No fim, a mensagem sai completamente distorcida, por exemplo: "Você é o meu pior amigo".
   — Simplificando bastante — eu disse a Blomberg —, essa não é
uma boa analogia para o que provavelmente aconteceu com a tradição oral sobre Jesus?
   Blomberg discordou.
   — Não, de maneira alguma — ele disse. — Eu explico por quê.
Quem procura memorizar com atenção alguma coisa e só resolve passá-la adiante depois de ter certeza que a sabe de cor faz algo bem diferente do que a brincadeira do telefone-sem-fio propõe. Na brincadeira, boa parte da diversão se deve ao fato de que a pessoa talvez não tenha entendido direito a mensagem que lhe cochicharam, e a regra não lhe permite pedir à pessoa que repita a frase. Logo em seguida, a mensagem é passada adiante, sempre sussurrada, o que aumenta mais ainda a possibilidade de distorções pelo caminho. No fim das contas, depois de passar por todo o círculo, o resultado será engraçado, sem dúvida nenhuma.
   — Por que então — perguntei a Blomberg — não podemos aplicar
essa analogia à transmissão da tradição oral?
   Blomberg tomou primeiro um gole de café.
   — Se fôssemos transportar a brincadeira para o contexto da comunidade do século I, teríamos de submetê-la aos seus critérios. Isso significa que cada pessoa repetiria em alto e bom som o que ouvira do vizinho e em seguida pediria ao primeiro que passara a informação que a confirmasse: "Está correto o que eu disse?". Se não estivesse, ele se corrigiria. A comunidade monitoraria constantemente a reprodução da mensagem e interferiria sempre que fosse preciso fazer alguma correção. Isso preservaria a integridade da mensagem. E o resultado seria muito diferente do da brincadeira infantil.

Referência: STROBEL, Lee. Em defesa de Cristo: um jornalista ex-ateu investiga as provas da existência de Cristo. São Paulo: Editora Vida, 2001. 57 p.
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